Eu não sei o que fazer.
Geralmente sou uma pessoa quieta, ouço tudo calada, e fiz assim por dois meses ouvindo uma colega feminista falando sobre "vagabundas".
Eu não quis humilha-la quando disse somente que isso me incomodava. Não quis ser superior, não quis ser melhor, mais culta.
E foi assim que ela entendeu.
Eu quis ajudar. Falei com jeitinho que isso era ruim. Ela reagiu. Ela se ofendeu. Ela fez com que eu me sentisse um lixo.
Sororidade é algo lindo de se falar, mas na prática é difícil.
Faz duas semanas que ela me ignora, enquanto eu a trato do mesmo jeito, pois o que ela me disse foi muito pior do que o que eu disse para ela, mas eu perdoei. Perdoei porque quem abriu a boca primeiro fui eu.
Eu pedi desculpas. Eu conversei. Nada resolve. Eu não sou hipócrita, como ela disse. Eu só sou trouxa. E eu estou triste e desapontada comigo mesma. Eu tentei ajudar.
terça-feira, 24 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Dia das mulheres
minha língua ficou presa no gelo
quando eu o lambi; e quando eu
toquei a chama da vela
meus dedos ficaram vermelhos e com bolhas.
quando eu o lambi; e quando eu
toquei a chama da vela
meus dedos ficaram vermelhos e com bolhas.
este poderia ser um poema sobre
beleza selvagem e o perigo
inerente à natureza.
beleza selvagem e o perigo
inerente à natureza.
no entanto é sobre pessoas,
e como elas estão sempre
tocando coisas que
não deveriam tocar.
e como elas estão sempre
tocando coisas que
não deveriam tocar.
(aquela menina do jornal nunca convidou
aquele homem a tocá-la.
tudo que consigo pensar é que
eu queria que ela tivesse algo selvagem
que atravessasse sua pele.
aquele homem a tocá-la.
tudo que consigo pensar é que
eu queria que ela tivesse algo selvagem
que atravessasse sua pele.
deus deveria ter feito das garotas letais
quando fez dos homens monstros.)
quando fez dos homens monstros.)
(e.h.)
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Tem certeza?
Então é isso.
Você conheceu o feminismo, compartilhou alguns "moça, você é machista" no facebook, repensou umas ideias. Achou legal a liberdade sexual, achou mais legal ainda ter o mesmo piso salarial que homem e decidiu se chamar de feminista. Mas você é uma feminista "legal", aquela que adora de homens e que nem sonha incluir o movimento negro/lgbt/afins na sua luta. Mas você é feminista, só prefere se rodear de amigos homens pra eventualmente chamar alguma mulher de piranha.
Tem certeza que você é feminista?
Amiga. Se você está sentadinha no muro, esse post é pra você repensar e se decidir.
Você acha legal engravidar com dezesseis anos? Eu não. Só imagino a força que a menina tem que ter pra ser mãe aos dezesseis. Mas eu sou feminista. Eu posso rir dela? Posso me juntar com outros e nas costas dela falar que ela é burra, que não se preveniu, que só engravida quem quer? Não. (bom, você não precisa ser feminista pra saber que isso é coisa de gente imbecil, mas ok)
Mas e sua opinião a respeito de mulheres religiosas -ou simplesmente que querem- que resolvem casar com dezoito anos? Ou sobre uma mulher com cinquenta anos que não tem namoradx nenhum? Ou sobre qualquer mulher que resolveu transar com três no mesmo dia?
Gente, isso não te interessa em nada. Sério.
Eu não vejo COMO você pode sair se auto-intitulando feminista se acha mina grávida uma vergonha.
Você não é MAIS feminista ou uma feminista MELHOR só porque não engravidou, não casou, ou porque leu Simone de Beavouir. Não existe isso de ser MAIS feminista que a coleguinha. Você não diz pra coleguinha que ela é burra porque não entende o mesmo tanto de feminismo quanto você, você não diz pra coleguinha que ela deveria ter vergonha de ser tão puta, você não julga a coleguinha que engravidou. Isso não é feminismo. Isso é ignorância, imbecilidade, falta de respeito e empatia.
Eu acho MARAVILHOSO quando uma mulher, não importa a idade, resolve levantar a bandeira do feminismo. É lindo demais, dá vontade de correr e abraçar, fazer uma festa com vários cartazes escrito "SEJA BEM VINDA!". Mas levantar essa bandeira e continuar com atitudes extremamente machistas é... chato. Incoerente.
E por incrível que pareça (afinal, eu pareço realmente brava escrevendo isso), esse post não é um "VOCÊ NÃO É BEM VINDA AO FEMINISMO". Esse post é um "Fica, vai ter bolo, a gente aproveita e estuda pra ficar tudo bem". Sério.
Se você quer criar coragem de se assumir feminista ou já se assumiu, mas tem umas atitudes machistas, esse post é pra você: sempre há tempo de mudar E melhorar (por que mudar pra pior não adianta, né?), então quero todas as minhas lindas amigas botando a cuca pra pensar se tem algo pra mudar e melhorar (sempre tem), pois são todas muitíssimo bem vindas nesse blog e nesse movimento cheio de amô.
De uma mulher comum e que parece brava mas na verdade só está dando um conselho de amiga,
Bruna
Você conheceu o feminismo, compartilhou alguns "moça, você é machista" no facebook, repensou umas ideias. Achou legal a liberdade sexual, achou mais legal ainda ter o mesmo piso salarial que homem e decidiu se chamar de feminista. Mas você é uma feminista "legal", aquela que adora de homens e que nem sonha incluir o movimento negro/lgbt/afins na sua luta. Mas você é feminista, só prefere se rodear de amigos homens pra eventualmente chamar alguma mulher de piranha.
Tem certeza que você é feminista?
Amiga. Se você está sentadinha no muro, esse post é pra você repensar e se decidir.
Você acha legal engravidar com dezesseis anos? Eu não. Só imagino a força que a menina tem que ter pra ser mãe aos dezesseis. Mas eu sou feminista. Eu posso rir dela? Posso me juntar com outros e nas costas dela falar que ela é burra, que não se preveniu, que só engravida quem quer? Não. (bom, você não precisa ser feminista pra saber que isso é coisa de gente imbecil, mas ok)
Mas e sua opinião a respeito de mulheres religiosas -ou simplesmente que querem- que resolvem casar com dezoito anos? Ou sobre uma mulher com cinquenta anos que não tem namoradx nenhum? Ou sobre qualquer mulher que resolveu transar com três no mesmo dia?
Gente, isso não te interessa em nada. Sério.
Eu não vejo COMO você pode sair se auto-intitulando feminista se acha mina grávida uma vergonha.
Você não é MAIS feminista ou uma feminista MELHOR só porque não engravidou, não casou, ou porque leu Simone de Beavouir. Não existe isso de ser MAIS feminista que a coleguinha. Você não diz pra coleguinha que ela é burra porque não entende o mesmo tanto de feminismo quanto você, você não diz pra coleguinha que ela deveria ter vergonha de ser tão puta, você não julga a coleguinha que engravidou. Isso não é feminismo. Isso é ignorância, imbecilidade, falta de respeito e empatia.
Eu acho MARAVILHOSO quando uma mulher, não importa a idade, resolve levantar a bandeira do feminismo. É lindo demais, dá vontade de correr e abraçar, fazer uma festa com vários cartazes escrito "SEJA BEM VINDA!". Mas levantar essa bandeira e continuar com atitudes extremamente machistas é... chato. Incoerente.
E por incrível que pareça (afinal, eu pareço realmente brava escrevendo isso), esse post não é um "VOCÊ NÃO É BEM VINDA AO FEMINISMO". Esse post é um "Fica, vai ter bolo, a gente aproveita e estuda pra ficar tudo bem". Sério.
Se você quer criar coragem de se assumir feminista ou já se assumiu, mas tem umas atitudes machistas, esse post é pra você: sempre há tempo de mudar E melhorar (por que mudar pra pior não adianta, né?), então quero todas as minhas lindas amigas botando a cuca pra pensar se tem algo pra mudar e melhorar (sempre tem), pois são todas muitíssimo bem vindas nesse blog e nesse movimento cheio de amô.
De uma mulher comum e que parece brava mas na verdade só está dando um conselho de amiga,
Bruna
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Parabéns, Bruna
Hoje é meu aniversário de dezenove anos. A comemoração familiar foi no sábado, pois meu aniversário cai em dia da semana e eu não queria perder minha primeira semana de aula na faculdade (que inclusive começou ontem).
Então é isso. Parabéns para mim. Que eu aproveite essa vela a mais no bolo para amadurecer, me tornar mais forte, mais confiante, crescer profissionalmente e ajudar cada vez mais mulheres. Que essa vela a mais no bolo me traga coragem para me tornar mais ativa no feminismo e para abraçar cada vez mais irmãs. E que esse primeiro ano de Psicologia me ajude a entender como ajudar mais mulheres, e como a me ajudar.
Por hoje é só isso. Só meus próprios votos de aniversário, porque eu mereço me amar.
Feliz aniversário, Bruna.
Então é isso. Parabéns para mim. Que eu aproveite essa vela a mais no bolo para amadurecer, me tornar mais forte, mais confiante, crescer profissionalmente e ajudar cada vez mais mulheres. Que essa vela a mais no bolo me traga coragem para me tornar mais ativa no feminismo e para abraçar cada vez mais irmãs. E que esse primeiro ano de Psicologia me ajude a entender como ajudar mais mulheres, e como a me ajudar.
Por hoje é só isso. Só meus próprios votos de aniversário, porque eu mereço me amar.
Feliz aniversário, Bruna.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Feninismo e as miga
Não gosto de uma abordagem à la testemunha de Jeová.
"Olá, você teria um minuto para ouvir as palavras do único e somente salvador Feminismo?".
Acho que isso não interessa a ninguém que não tenha paciência e/ou curiosidade. E se a mulher não estiver por dentro do que é (afinal, ainda existe um preconceito ligado ao feminismo e ideias erradas são frequentes), uma abordagem direta seria trabalhoso e inútil, como tentar explicar para a minha avó beata.
Se você não se sente confiante o bastante para ser uma "testemunha de Frida Kahlo" (assim como eu mesma não me sinto, afinal continuo escrevendo em um blog sem divulgar nada por medo de um possível feedback negativo), seja sutil. Corrija comentários machistas com amor, paciência e sororidade. Lembre-se: Não se nasce feminista, torna-se. Tenha paciência com as irmãs que estão começando.
Por exemplo:
"-Joana, a Beatriz é uma puta!"
poderia ser respondido com:
-Eu também sou, qual o problema?
-Você gostaria que eu tivesse te chamado de puta naquela festa que você ficou bêbada e beijou todo mundo?
-Cuida da tua vida (essa não é sutil, mas é eficiente)
Eu também gosto bastante de discutir aborto tendo como exemplo a pílula do dia seguinte.
"-Maria, como você pode ser contra o aborto se já tomou a pílula do dia seguinte?!".
Se alguma amiga ofender uma menina que teve fotos íntimas vazadas, fale:
"-Eu também já mandei, eu também mereço?". Se for um homem ofendendo, fale "seu machista babaca, não fala comigo nunca mais", e não fale com ele nunca mais.
Entendeu o que eu falei, amiga? Prepare o terreno. Jogue uma diquinha daqui, uma ajudinha de cá. Mostre que o feminismo não é um bicho de sete cabeças, e sim uma irmandade feminina. Mostre que é um movimento feito DE e PARA mulheres, e que por isso ela é muito bem vinda.
-Olá, você teria um minuto para ouvir sobre nossa única e somente salvadora Frida Kahlo?
De uma mulher comum e com o coração leve,
Bruna.
"Olá, você teria um minuto para ouvir as palavras do único e somente salvador Feminismo?".
Acho que isso não interessa a ninguém que não tenha paciência e/ou curiosidade. E se a mulher não estiver por dentro do que é (afinal, ainda existe um preconceito ligado ao feminismo e ideias erradas são frequentes), uma abordagem direta seria trabalhoso e inútil, como tentar explicar para a minha avó beata.
Se você não se sente confiante o bastante para ser uma "testemunha de Frida Kahlo" (assim como eu mesma não me sinto, afinal continuo escrevendo em um blog sem divulgar nada por medo de um possível feedback negativo), seja sutil. Corrija comentários machistas com amor, paciência e sororidade. Lembre-se: Não se nasce feminista, torna-se. Tenha paciência com as irmãs que estão começando.
Por exemplo:
"-Joana, a Beatriz é uma puta!"
poderia ser respondido com:
-Eu também sou, qual o problema?
-Você gostaria que eu tivesse te chamado de puta naquela festa que você ficou bêbada e beijou todo mundo?
-Cuida da tua vida (essa não é sutil, mas é eficiente)
Eu também gosto bastante de discutir aborto tendo como exemplo a pílula do dia seguinte.
"-Maria, como você pode ser contra o aborto se já tomou a pílula do dia seguinte?!".
Se alguma amiga ofender uma menina que teve fotos íntimas vazadas, fale:
"-Eu também já mandei, eu também mereço?". Se for um homem ofendendo, fale "seu machista babaca, não fala comigo nunca mais", e não fale com ele nunca mais.
Entendeu o que eu falei, amiga? Prepare o terreno. Jogue uma diquinha daqui, uma ajudinha de cá. Mostre que o feminismo não é um bicho de sete cabeças, e sim uma irmandade feminina. Mostre que é um movimento feito DE e PARA mulheres, e que por isso ela é muito bem vinda.
-Olá, você teria um minuto para ouvir sobre nossa única e somente salvadora Frida Kahlo?
De uma mulher comum e com o coração leve,
Bruna.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Confissão da madrugada
Eu sou uma máquina de ódio. Basta derrubar um garfo para que eu chore, berre e me bata. Minhas cicatrizes de momentos de raiva se mantêm escondidas, para que eu possa fingir que não sou louca. Cicatrizes atuais não existem graças a um apoio, mas a lembrança das antigas ainda me envergonham e entristecem.
O feminismo agravou essa situação. Coisas que antes me incomodavam um pouco ou que passavam despercebidas, hoje fazem com que eu perca a cabeça. Ouvir que a Dilma é uma péssima presidenta (sim, eu vou reforçar sua situação feminina!) porque é uma "velha sapatão", ouvir que dependendo do caso uma mulher merece sim apanhar, ou até mesmo uma piada sobre louças e fogão fazem com que eu vire um bicho. Esperneio, fico com enxaqueca de tanto chorar, com marcar nas bochechas para ver se isso faz com que meu descontrole diminua (dica: Não faz).
Tudo isso já me rendeu conselhos de "diminua seu lado feminista, você não precisa de mais ódio". Tentei. Não consegui. Inclusive, fez com que eu abraçasse ainda mais forte meu movimento tão amado.
Se vale a pena passar ódio graças ao feminismo? Posso afirmar que sim. O amor de irmãs supera todo esse mal.
Esse blog não tem como função mostrar que o feminismo é feito de girassóis e perfume francês. Ele é honesto. Feminismo tem amor, sim. Mas também traz frustação e luta.
De uma mulher triste, sincera e comum,
Bruna.
O feminismo agravou essa situação. Coisas que antes me incomodavam um pouco ou que passavam despercebidas, hoje fazem com que eu perca a cabeça. Ouvir que a Dilma é uma péssima presidenta (sim, eu vou reforçar sua situação feminina!) porque é uma "velha sapatão", ouvir que dependendo do caso uma mulher merece sim apanhar, ou até mesmo uma piada sobre louças e fogão fazem com que eu vire um bicho. Esperneio, fico com enxaqueca de tanto chorar, com marcar nas bochechas para ver se isso faz com que meu descontrole diminua (dica: Não faz).
Tudo isso já me rendeu conselhos de "diminua seu lado feminista, você não precisa de mais ódio". Tentei. Não consegui. Inclusive, fez com que eu abraçasse ainda mais forte meu movimento tão amado.
Se vale a pena passar ódio graças ao feminismo? Posso afirmar que sim. O amor de irmãs supera todo esse mal.
Esse blog não tem como função mostrar que o feminismo é feito de girassóis e perfume francês. Ele é honesto. Feminismo tem amor, sim. Mas também traz frustação e luta.
De uma mulher triste, sincera e comum,
Bruna.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Relato pessoal
Eu era bem babaca. Com catorze anos eu achava que gays iam para o inferno e que não deveriam ser afeminados. Achava que a culpa do estupro era sim a saia curta. Achava que nordestinos não tinham que vir para São Paulo. Eu era a réplica exata e moralista da minha família.
A mudança para quem eu sou hoje, com quase dezenove anos (faltam cinco dias para o meu aniversário!), foi lenta, mas ela felizmente aconteceu. Transformar uma cabeça fechada foi trabalhoso, mas eu persisti, tendo a total noção de que eu não queria continuar com a mesma cabeça que meus pais, avós e tios. O feminismo foi algo ESSENCIAL para a mudança. Sem ele, nada disso teria acontecido.
Aos poucos os preconceitos foram sendo extintos, e cinco anos depois da decisão de mudança, vejo que não poderia ter escolhido algo melhor, e sou extremamente grata por isso. E desses cinco anos, meu namorado fez parte de três, quase quatro. Assim como eu, ele e nosso relacionamento sofreram mudanças positivas.
Se você quer sentir algo fantástico, perceba todo o amadurecimento que você já fez e passou. Meu peito se enche de alegria e orgulho quando penso no quanto meu namorado e eu crescemos juntos.
No começo do nosso namoro, não podíamos sair sozinhos. Quer dizer, tudo bem se você for no shopping com um/a amigo/a, sem problemas se você passar a tarde na casa de fulano, mas se for à alguma festa ou balada sem mim, volta solteiro/a. Não aceito que você tatue algo que não gosto. É inadmissível um corte de cabelo que não tenha aprovação.
Tempos mudam.
Dias desses estávamos conversando sobre essas mudanças, e acho que não existem palavras para falar do sentimento de alegria GIGANTESCO que senti. Se a Bruna de quinze anos soubesse que um dia o namorado aceitaria suas decisões sobre o corpo gostando ou não sem contestar, não acreditaria. Se a Bruna de quinze anos pensasse na parceria e na confiança que ela e o namorado teriam, logo ia tirar esse pensamento da cabeça.
O post, infelizmente, ficou muito mais vago do que eu planejava (não que eu planejasse fazer uma postagem vaga, claro), mas vem com um conselho precioso. Pensando bem, dois conselhos.
O primeiro conselho é: Se você quiser mudar, mude. Mudanças são lentas e gradativas, mas são possíveis. Se você não gosta de algo, MUDE.
O segundo conselho é meu queridinho: Se seu feminismo não mudar seu parceiro, seja homem, mulher ou os dois, seu parceiro não serve para você.
Com muito carinho,
Bruna - uma mulher comum.
A mudança para quem eu sou hoje, com quase dezenove anos (faltam cinco dias para o meu aniversário!), foi lenta, mas ela felizmente aconteceu. Transformar uma cabeça fechada foi trabalhoso, mas eu persisti, tendo a total noção de que eu não queria continuar com a mesma cabeça que meus pais, avós e tios. O feminismo foi algo ESSENCIAL para a mudança. Sem ele, nada disso teria acontecido.
Aos poucos os preconceitos foram sendo extintos, e cinco anos depois da decisão de mudança, vejo que não poderia ter escolhido algo melhor, e sou extremamente grata por isso. E desses cinco anos, meu namorado fez parte de três, quase quatro. Assim como eu, ele e nosso relacionamento sofreram mudanças positivas.
Se você quer sentir algo fantástico, perceba todo o amadurecimento que você já fez e passou. Meu peito se enche de alegria e orgulho quando penso no quanto meu namorado e eu crescemos juntos.
No começo do nosso namoro, não podíamos sair sozinhos. Quer dizer, tudo bem se você for no shopping com um/a amigo/a, sem problemas se você passar a tarde na casa de fulano, mas se for à alguma festa ou balada sem mim, volta solteiro/a. Não aceito que você tatue algo que não gosto. É inadmissível um corte de cabelo que não tenha aprovação.
Tempos mudam.
Dias desses estávamos conversando sobre essas mudanças, e acho que não existem palavras para falar do sentimento de alegria GIGANTESCO que senti. Se a Bruna de quinze anos soubesse que um dia o namorado aceitaria suas decisões sobre o corpo gostando ou não sem contestar, não acreditaria. Se a Bruna de quinze anos pensasse na parceria e na confiança que ela e o namorado teriam, logo ia tirar esse pensamento da cabeça.
O post, infelizmente, ficou muito mais vago do que eu planejava (não que eu planejasse fazer uma postagem vaga, claro), mas vem com um conselho precioso. Pensando bem, dois conselhos.
O primeiro conselho é: Se você quiser mudar, mude. Mudanças são lentas e gradativas, mas são possíveis. Se você não gosta de algo, MUDE.
O segundo conselho é meu queridinho: Se seu feminismo não mudar seu parceiro, seja homem, mulher ou os dois, seu parceiro não serve para você.
Com muito carinho,
Bruna - uma mulher comum.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Maldição feminista
O primeiro contato com o feminismo é... meigo. É inocente. Se você perguntar para uma recém-feminista sobre o que é feminismo, provavelmente obteria como resposta "igualdade entre mulheres e homens!", sendo dito entre sorrisos e brilhos. Se você fizer a mesma pergunta para uma feminista com uma bagagem maior e mais pesada, talvez obtenha um suspiro cansado, talvez obtenha uma resposta a respeito do empoderamento. Se ela tiver paciência, pode te falar sobre causas raciais, homo/bissexuais e trans que estão incluídas.
Mas por que a "má vontade" sobre o assunto? A resposta não tem glitter, não.
O feminismo é uma maldição. Te puxa de levinho, e quando você percebe, está completamente imersa e sem saída.
O feminismo é uma maldição. Faz com que você perca amigos, faz com que seu filme ou seriado favorito se torne machista e insuportável. E brigas de família, então?! Surgem igual turista no carnaval do Rio.
Você pode parar de idolatrar os artistas que costumava adorar, parar de ver os graça nos programas humorísticos que te faziam chorar de rir, e talvez pare de ver algum familiar como exemplo.
Os assobios na rua e os apertões na balada parecem cada vez piores. A falta de mulheres fortes nas televisões e nos livros começam a te irritar.
E se algum sintoma desses já apareceu, minha querida, não tem mais jeito. A maldição feminista já te pegou.
E que maldição mais maravilhosa é essa. Maldição que faz com que você aprecie e admire sua mãe e sua avó; Que faz com que a cena de mulheres bêbadas cuidando uma da outra no banheiro da balada se torne a coisa mais linda do mundo. Ninguém mais é mau comida. Mias ninguém no universo tem falta de rola. A partir desse momento, todas as suas ideias tortas se tornaram amor para as irmãs;
Se você chegou ao feminismo, minha linda, você é livre. você é toda e completamente sua.
Com o peito explodindo de sororidade,
Uma mulher comum.
Mas por que a "má vontade" sobre o assunto? A resposta não tem glitter, não.
O feminismo é uma maldição. Te puxa de levinho, e quando você percebe, está completamente imersa e sem saída.
O feminismo é uma maldição. Faz com que você perca amigos, faz com que seu filme ou seriado favorito se torne machista e insuportável. E brigas de família, então?! Surgem igual turista no carnaval do Rio.
Você pode parar de idolatrar os artistas que costumava adorar, parar de ver os graça nos programas humorísticos que te faziam chorar de rir, e talvez pare de ver algum familiar como exemplo.
Os assobios na rua e os apertões na balada parecem cada vez piores. A falta de mulheres fortes nas televisões e nos livros começam a te irritar.
E se algum sintoma desses já apareceu, minha querida, não tem mais jeito. A maldição feminista já te pegou.
E que maldição mais maravilhosa é essa. Maldição que faz com que você aprecie e admire sua mãe e sua avó; Que faz com que a cena de mulheres bêbadas cuidando uma da outra no banheiro da balada se torne a coisa mais linda do mundo. Ninguém mais é mau comida. Mias ninguém no universo tem falta de rola. A partir desse momento, todas as suas ideias tortas se tornaram amor para as irmãs;
Se você chegou ao feminismo, minha linda, você é livre. você é toda e completamente sua.
Com o peito explodindo de sororidade,
Uma mulher comum.
Mulheres comuns
Olá!
Eu sou a Bruna. Tenho (quase) dezenove anos e estou no primeiro semestre de psicologia. Tentei não dizer meu nome ou usar o quase, mas intimidade é uma coisa tão gostosa que não consegui evitar.
Eu me considero feminista há três anos. O movimento veio para de mim de uma forma estranha: um dia, meu professor perguntou se eu era a aluna que havia pedido o livro "Martelo das feiticeiras" emprestado. Decepcionado com a resposta negativa, sugeriu que eu lesse a introdução em seu próprio período de aula. Enquanto os outros faziam exercícios, eu li.
Li que no começo dos tempos, mulheres eram endeusadas por gerarem novas vidas; Que a ideia de deus não era fixa, e que eram consideradas as possibilidades de que Deus fosse uma mulher, um homem e uma mulher governando juntos ou um homem. Li também que tudo isso foi esquecido e desprezado assim que os homens perceberam que eles também faziam parte do processo de reprodução. "Tudo" isso entre aspas, pois a teoria de que Deus era um homem másculo, velho e barbudo governando todo o universo sozinho foi validada e glorificada.
As poucas páginas lidas nos cinquenta minutos de aula ficaram em minha cabecinha. Saí de lá comentando sobre minhas descobertas e obtive como resposta "não vai me virar feminista louca, hein?!".
Os conselhos não deram muito certo e eu acabei virando feminista louca.
Provavelmente eu não sou a melhor pessoa do universo para dar pitaco, afinal sou branca, cis, hétero em um relacionamento monogâmico e estável, classe média alta. Mas eu tenho o essencial: sou uma mulher com muita vontade de ajudar mulheres a se amarem e se empoderarem.
Aceito dúvidas, sugestões e pedidos de ajuda.
Com todo amor do mundo,
Uma mulher comum.
-
Não sei todas as regras de português e muito menos mexer com HTML. O Blog é simples, mas feito com coração. :-)
Eu sou a Bruna. Tenho (quase) dezenove anos e estou no primeiro semestre de psicologia. Tentei não dizer meu nome ou usar o quase, mas intimidade é uma coisa tão gostosa que não consegui evitar.
Eu me considero feminista há três anos. O movimento veio para de mim de uma forma estranha: um dia, meu professor perguntou se eu era a aluna que havia pedido o livro "Martelo das feiticeiras" emprestado. Decepcionado com a resposta negativa, sugeriu que eu lesse a introdução em seu próprio período de aula. Enquanto os outros faziam exercícios, eu li.
Li que no começo dos tempos, mulheres eram endeusadas por gerarem novas vidas; Que a ideia de deus não era fixa, e que eram consideradas as possibilidades de que Deus fosse uma mulher, um homem e uma mulher governando juntos ou um homem. Li também que tudo isso foi esquecido e desprezado assim que os homens perceberam que eles também faziam parte do processo de reprodução. "Tudo" isso entre aspas, pois a teoria de que Deus era um homem másculo, velho e barbudo governando todo o universo sozinho foi validada e glorificada.
As poucas páginas lidas nos cinquenta minutos de aula ficaram em minha cabecinha. Saí de lá comentando sobre minhas descobertas e obtive como resposta "não vai me virar feminista louca, hein?!".
Os conselhos não deram muito certo e eu acabei virando feminista louca.
Provavelmente eu não sou a melhor pessoa do universo para dar pitaco, afinal sou branca, cis, hétero em um relacionamento monogâmico e estável, classe média alta. Mas eu tenho o essencial: sou uma mulher com muita vontade de ajudar mulheres a se amarem e se empoderarem.
Aceito dúvidas, sugestões e pedidos de ajuda.
Com todo amor do mundo,
Uma mulher comum.
-
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