quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Relato pessoal

Eu era bem babaca. Com catorze anos eu achava que gays iam para o inferno e que não deveriam ser afeminados. Achava que a culpa do estupro era sim a saia curta. Achava que nordestinos não tinham que vir para São Paulo. Eu era a réplica exata e moralista da minha família.
A mudança para quem eu sou hoje, com quase dezenove anos (faltam cinco dias para o meu aniversário!), foi lenta, mas ela felizmente aconteceu. Transformar uma cabeça fechada foi trabalhoso, mas eu persisti, tendo a total noção de que eu não queria continuar com a mesma cabeça que meus pais, avós e tios. O feminismo foi algo ESSENCIAL para a mudança. Sem ele, nada disso teria acontecido.
Aos poucos os preconceitos foram sendo extintos, e cinco anos depois da decisão de mudança, vejo que não poderia ter escolhido algo melhor, e sou extremamente grata por isso. E desses cinco anos, meu namorado fez parte de três, quase quatro. Assim como eu, ele e nosso relacionamento sofreram mudanças positivas.
Se você quer sentir algo fantástico, perceba todo o amadurecimento que você já fez e passou. Meu peito se enche de alegria e orgulho quando penso no quanto meu namorado e eu crescemos juntos.
No começo do nosso namoro, não podíamos sair sozinhos. Quer dizer, tudo bem se você for no shopping com um/a amigo/a, sem problemas se você passar a tarde na casa de fulano, mas se for à alguma festa ou balada sem mim, volta solteiro/a. Não aceito que você tatue algo que não gosto. É inadmissível um corte de cabelo que não tenha aprovação.
Tempos mudam.
Dias desses estávamos conversando sobre essas mudanças, e acho que não existem palavras para falar do sentimento de alegria GIGANTESCO que senti. Se a Bruna de quinze anos soubesse que um dia o namorado aceitaria suas decisões sobre o corpo gostando ou não sem contestar, não acreditaria. Se a Bruna de quinze anos pensasse na parceria e na confiança que ela e o namorado teriam, logo ia tirar esse pensamento da cabeça.
O post, infelizmente, ficou muito mais vago do que eu planejava (não que eu planejasse fazer uma postagem vaga, claro), mas vem com um conselho precioso. Pensando bem, dois conselhos.
O primeiro conselho é: Se você quiser mudar, mude. Mudanças são lentas e gradativas, mas são possíveis. Se você não gosta de algo, MUDE.
O segundo conselho é meu queridinho: Se seu feminismo não mudar seu parceiro, seja homem, mulher ou os dois, seu parceiro não serve para você.


Com muito carinho,


Bruna - uma mulher comum.

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