Eu sou uma máquina de ódio. Basta derrubar um garfo para que eu chore, berre e me bata. Minhas cicatrizes de momentos de raiva se mantêm escondidas, para que eu possa fingir que não sou louca. Cicatrizes atuais não existem graças a um apoio, mas a lembrança das antigas ainda me envergonham e entristecem.
O feminismo agravou essa situação. Coisas que antes me incomodavam um pouco ou que passavam despercebidas, hoje fazem com que eu perca a cabeça. Ouvir que a Dilma é uma péssima presidenta (sim, eu vou reforçar sua situação feminina!) porque é uma "velha sapatão", ouvir que dependendo do caso uma mulher merece sim apanhar, ou até mesmo uma piada sobre louças e fogão fazem com que eu vire um bicho. Esperneio, fico com enxaqueca de tanto chorar, com marcar nas bochechas para ver se isso faz com que meu descontrole diminua (dica: Não faz).
Tudo isso já me rendeu conselhos de "diminua seu lado feminista, você não precisa de mais ódio". Tentei. Não consegui. Inclusive, fez com que eu abraçasse ainda mais forte meu movimento tão amado.
Se vale a pena passar ódio graças ao feminismo? Posso afirmar que sim. O amor de irmãs supera todo esse mal.
Esse blog não tem como função mostrar que o feminismo é feito de girassóis e perfume francês. Ele é honesto. Feminismo tem amor, sim. Mas também traz frustação e luta.
De uma mulher triste, sincera e comum,
Bruna.
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